O Caminho Invisível


Terça-feira , 28 de Junho de 2011


Letra e Martelo

Outros homens já a haviam cortejado. Era uma moça ingênua, suscetível. Amou a tantos, e por tantos foi decepcionada. Chorou rios de lágrimas, gritou céus de prantos, e, vez por outra, caia novamente na armadilha do amor. Escreveu sua história em poema, em conto, em soneto. Cantou sua vida em bela voz, entoou suas notas em seu alaúde, e sua rabeca chorava todas as vezes em que ela contava suas lamúrias.

                Mas então foi que, num belo dia frio de setembro, se deparou com aquele homem rude, descortês. Ele não a saudou, ou acenou. Com seu martelo na mão, andou diretamente para sua oficina, sem fazer alarde. Traços fortes, cabelos levemente compridos e lisos como água, presos por um elástico, rosto liso. Olhos verdes, profundos e amendoados, com músculos dos braços trabalhados e pele bronzeada. Quem seria o arrogante senhor que ela nunca notara? A vila era pequena, e com certeza, deveria conhecer o ferreiro que nela trabalhava.

                Ela o seguiu, silenciosa, segurando delicadamente seu alaúde. Seu vestido arrastava com um leve farfalhar no chão, e quando ela entrou na Ferraria o observou pegando seus pedaços de metal e suas espadas mal acabadas. Ele escutou quando os saltos pequenos dela fizeram barulho na entrada de madeira, e a olhou com o canto dos olhos. Uma cicatriz que transpassava o lado direito da testa, passando por cima da sobrancelha, deixando uma falha.

- Quem é você? – Ele perguntou, arrogante. Era uma voz profunda, reverberante. A barda apenas suspirou, encantada com a beleza do homem à sua frente. Entrou mais, sentou-se em uma cadeira ao lado de algumas ferramentas e acomodou seu instrumento nos joelhos.

- Chamo-me Cecília. – Ela sorriu para ele, deixando-o levemente corado. Ele levantou as sobrancelhas e continuou a organizar suas coisas. – Faz muito tempo que você mora aqui?

- Não. – Ele respondeu, seco.

- Nunca te vi... – Ela ainda o observava. Os traços brutos, mas bonitos, o queixo largo, olhos negros e profundos. – Faz quanto tempo que você se mudou?

- Pouco. – Ele continuou monossilábico, procurando algo entre seus equipamentos.

- Qual é o seu nome? – Cecília perguntou, e ele se virou para ela, com o cenho franzido e as mãos na cintura.

- Será que você não para de perguntar? – Ela levou um susto, fazendo-o rir de leve. – Meu nome é Fabrício.

Foi a vez dela de rir. Por mais que, mesmo que ela fosse lá todos os dias, ele a ignorasse quase que completamente, os momentos em que eles conversavam depois que ele terminava todos os seus serviços eram extremamente gratificantes. Ele era engraçado, gentil, carinho, carismático. Ela adorava ver como os cabelos dele voavam com o vento, como os olhos dele brilhavam ao sol, com o verde vivo soltando toda uma magia.

Ela o amava loucamente. E, ironicamente, mesmo que nunca tivesse nada com ela, ele fora o único que não a abandonara.

E então ele sumiu. Sumiu por dias. Semanas. Meses. As notícias correram. Ele havia casado com outra. Ele prometera que ficaria com ela para sempre...! Ele se deitara ao lado dela, e prometera que nunca a abandonaria.

Mas... Ele realmente não o fizera.

Escrito por Fabrícia Martins às 01h48
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Letra e Martelo pt. 2

 

- Vou viajar. – Ele falou, um dia. – Não sei o que vou encontrar, e não se quando volto. E se volto. Mas não se preocupe. Eu sempre vou pensar em você. – Fabrício sorriu, com seus dentes perfeitos.

- Eu sei que vai. – Cecília apenas sorriu, contendo seu sentimento.

- Afinal, somos melhores amigos, não somos? – Ele acariciou os cabelos dela e levantou-se. Desde esse dia, ela nunca mais o vira.

Depois de anos, olhando para a mesma direção que ele andara ao deixá-la, ela pegou seu alaúde e tocou as primeiras notas de sua canção:

A blacksmith courted me
Nine months and better
He fairly won my heart
Wrote me a letter…

- Se eu ao menos tivesse admitido… - Lágrimas desciam pelo rosto dela. – Se eu ao menos tivesse meu amor comigo...

___

 PS.: Cecília significa “padroeira da música” e Fabrício significa “ferreiro”. Acho que combinou bem com eles.

Escrevi o texto depois de quase chorar com a música “Blacksmith”, interpretada por Loreena Mackenitt – que, por acaso, é a música que escrevi ao final.

Escrito por Fabrícia Martins às 01h47
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Quarta-feira , 22 de Junho de 2011


Música

 

É incrível o quanto algumas músias nos preenchem de forma tal que nos sentimos tão completos que qualquer outro tipo de pensamento parece errado ou desnecessário. Nesse momento uma música me preenche tão perfeitamente que é exaustivo escrever esse simples texto. ela complea meu corpo e quer extravazar pelos olhos, e eu não quero mais nada além disso. Será que é esse o objetivo da música? Por que se for... Eu agradeço aos céus por ela existir.

FMartins.

 

PS.: A música que eu escutava nesse momento era "Celestial Bungalow", gravada para o jogo "The Sims 2" e criada por Mark Mothersbaugh.

Escrito por Fabrícia Martins às 15h19
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Segunda-feira , 23 de Maio de 2011


Esperança o/

É, talvez o mundo tenha solução ainda.

Esse domingo vi uma criancinha de no máximo cinco anos, chorando desesperadamente, sendo carregado pelo pai e gritando a plenos pulmões porque queria, não um brinquedo, mas um livro.

Finalmente, um mundo cheio de pequenos leitores. - e pequenos emos :/

Escrito por Fabrícia Martins às 23h56
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Segunda-feira , 02 de Maio de 2011


Συνάντηση

 

Eu andava por entre as ruínas, calma. Havia uma alma me esperando entre as pilastras destruídas, e eu não conseguia encontrá-la. Por quê? Eu nunca errava um local...! Nunca! Então porque não conseguia encontrar?

Aquela havia sido uma das mortes que eu menos gostava: assassinato. E o pior: era daqueles que realmente tinha um motivo.

Seu nome era Athena Cleo. Era mulher, cerca de 45 anos. Rica, vida social cheia, festas em todos os lugares, casa bonita... O problema é que ela havia conseguido todas essas riquezas com o tráfeco humano...!

Sim... Ela sequestrava criancinhas e adolescentes para vendê-los para gigolôs e faturar... Como é que dizem? Ah... Uma grana preta com isso.

Olhand ao redor, acabei encontrando o motivo pelo qual não a achava. Primeiro vi sua gadanha, gigante, completamente suja de sangue. Depois vi seu capuz, negro, oscilando no vento grego, deixando de fora apenas a pontinha de seu nariz. Depois vi Athena, segura por um dos braços, implorando por piedade.

- Não sabia que você capturava meus mortos, também. - Falei ao me aproximar dela. Ela virou para mim, indiferente.

- Então é... Você? - A voz dela era profunda, negra. Calafrios percorriam meu corpo, arrepiando meus pelos enquanto ela falava. - O anjo que ceifa vidas?

- Não tenho uma gadanha, como pode ver. - Mostrei minhas mãos vazias. - Apenas retiro a alma que foi posta no corpo mortal, da mesma forma que Deus a colocou ai dentro.

- Ah. - Ela deixou a boca aberta por uns dois segundos, levantou sua gadanha, e do corpo que ali estava, só restou a alma, assustada e tremeluzindo. - Humanos são sempre tão... Iguais.

Fiquei calada. Aquela alma olhou para mim, com lágrimas invisíveis nos olhos, um terror profundo na alma, e um pedido: "me leve".

- Humanos são como crianças. Precisam crescer e aprender... É difícil para eles, sendo uma raça tão nova. - Falei, finalmente, enquanto ela limpava sua arma. - Humanos precisam de carinho e cuidado, para que possam evoluir.

Toquei o rosto da mulher ajoelhada aos meus pés, que imediatamente fechou os olhos.

- Não me sinto satisfeita com o que faço, mas sou a única capaz de fazê-lo. - A mulher pareceu relaxar ao meu toque. O que fiz foi apenas prender uma linha ao redor do pulso dela. - Mas já que ela é sua, leve-a. Essa linha a marca como sua propriedade.

Ela me olhou, como se tivesse me visto pela primeira vez. Tirou o seu capuz, e eu pude ver sua pele extremamente cinza, seus cabelos negros em desalinho, e os olhos da mais pura cor de escuridão.

- Espero vê-la novamente, Shalem. - E então ela sumiu, como se nunca estivera lá.

_x_

 

Texto que escrevi em resposta ao texto de um outro escritor, Dija Darkdija, do blog A Arte da Viajosidade, que fez um encontro com nossas Mortes.

O texto dele é ótimo, e espero que o meu também não seja ruim.

Até o/

Escrito por Fabrícia Martins às 00h56
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Sexta-feira , 29 de Abril de 2011


Náttùra

Eu sentia os seres vivos andando sob meus pés. A areia gélida penetrando por entre meus dedos, e o cheiro de lama recém-lavada subindo pelas minhas narinas. Olhei ao redor. Meus olhos se fecharam um pouco por conta da branca luminosidade que caia do céu, atravessando furiosamente minhas retinas e me deixando cega para o resto do mundo. Apesar de pouca, quase escassa, foi o suficiente para me machucar. A floresta é calma e repressiva. As árvores ao redor esmagam minha liberdade, mas eu me sinto tranquila.

A cabana à minha frente servia como um abrigo dessa luz, então entrei, ficando novamente em calmaria. Os sons ao meu redor se mesclavam com a minha alma, e meus cabelos compridos, imensamente ruivos, limpam o chão enquanto me sento, ainda pensando comigo mesma.

A vida estava em todo lugar, e eu ali, Morte de cabelos vermelhos.

As paredes mofadas acumulavam umidade, sendo um antro de vida. Eu via bichinhos subindo por elas, vivendo suas simples vidinhas. Não havia móveis, apenas uma mesa e uma cama velha. Os pássaros cantavam, e eu ali, respirando vida. Eu, a Morte.

A Terra era um bom lugar para se viver, pensava eu, então por que existia paraíso de aquilo era suficiente?

Ah, é.

Os humanos destruiram tudo.

Olhei para o corpo ao meu lado. Uma criança de mais ou menos sete anos. Abusada e morta. Toquei em seus cachinhos, acarinhando aquele pequeno ser. Quando a puxei de seu corpo, ela me encarou com seus olhinhos verdes esbugalhados.

- Olá, Aeridna. - Ela me abraçou, amedrontada.

- Po quê? - Ela me perguntou. - Po que ele me machucou?

- Ele não sabe o que faz. - Falei, abraçando aquele anjinho. - Agora vamos para casa?

Aeridna sorriu, já animada.

- Vamos plo céu? - Ela riu. - Foi po isso que papai do céu me mandou um anjo?

Sorri. Eu sempre me animo, e agradeço a Deus. Momentos assim fazem meu trabalho maravilhoso.

 

"Contos de Morte", MARTINS, fabrícia.

Escrito por Fabrícia Martins às 23h13
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Sexta-feira , 19 de Novembro de 2010


O Prisioneiro

 

O céu não tinha lua, mas a quantidade de estrelas era tão intensa que tudo estava claro. Eu observava o céu do meu cubículo, contando as estrelas que podia por entre as grades. Minha vida estava ficando tediosa. Cansei de conversar com ratos e baratas, tentar puxar um papo com o guarda.

É inútil. Todos me veem com maus olhos.

Mordi os lábios, olhando o teto úmido de pedra lisa. Eu não estava com sono. Peguei o giz que guardava perto da cama e comecei a desenhar na parede da cela. estava relativamente escuro e eu não conseguia ver nada com detalhes, mas aquilo me deixava ocupado.

Os traços saiam fluídos e limpos. Eu tinha talento. Mas de quê adiantava? Um dia de domingo eu vi um homem prestes a violentar uma criança. O matei. E agora estou aqui, por 15 longos anos, por ter salvado dezenas de vítimas.

 

Fabrícia Martins.

Escrito por Fabrícia Martins às 03h18
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Chuva de Abril

 

A chuva batia forte em meus olhos enquanto eu corria, carregando meu longo vestido branco. Como uma tragédia dessas poderia ter ocorrido justo hoje? Justo no nosso dia?

Meus olhos já estavam cansados de chorar quando abri abruptamente as portas da grande catedral. Os vitrais pareciam obscuros diante de todo aquele temporal, mas não tão obscuros quanto meu coração. Parei, olhando a grande imagem de Jesus sofrendo na cruz e gritei, desesperada.

Estava tudo arrumado e bonito para nosso casamento. As flores ainda estavam lá, murchando, assim como eu. O altar nunca me pareceu tão assustador, e eu nunca tive tanto ódeio de uma imagem: aquela imagem de gesso que sofria assim como eu sofri, quando, na porta da Igreja, vi o homem da minha vida cair no tapete vermelho sem me ter ao seu lado. Olhei a imagem de jesus naquela hora, e notei que aquela imagem de nada valia para mudar o destino. Aquela imagem não era nada.

Não tive coragem de tirar meu vestido. No hospital, disseram que ele havia tido morte cerebral - nada que fizessem poderia salvá-lo. O meu coração havia sido queimado com meu amante naquela mesma noite.

Senti alguém tocando meu ombro. Virei-me para ver quem era, e vi um rosto calmo e novo. Era um jovem padre que escutara meu grito.

- Não se desespere, Cassandra. - Ele me falou, ajoelhando-se à minha frente. - Deus não irá te desamparar.

- Ele já o fez. - Fui ríspida, mas ele apenas me fitou com seus olhos puros e gentis.

- Vê essa chuva toda? - O jovem padre falou, apontando para a porta. - Vá para ela. É o seu amado tentando tocar você.

Fabrícia Martins.

N/A.: A frase do padre sobre a chuva é referência a uma de minhas fics de Harry Potter favoridas, a "O dia que nunca chove", da Lain Lang.

Escrito por Fabrícia Martins às 02h46
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Domingo , 06 de Junho de 2010


8D

...

Gêmeos do Gelo.

Hailin.

Ficou faltando o Soushi... Quando desenhá-lo, coloco aqui!

Escrito por Fabrícia Martins às 12h06
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Mais desenhos!

Continuando com meus desenhos...!

Irmãs Amamiya. Não ficou muito bom...

Chichi!

Escrito por Fabrícia Martins às 12h03
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Desenhos!

Desde que eu comecei a escrever minha fic de Saint Seiya "O Futuro a Nós Pertence", tive a i´deia de desenhar os personagens. Ai de vez em quando, no intervalo entre as aulas, eu dava uma rabiscada... Foi o que saiu!

 

A Estrela. Foi o mais bonitinho deles...!

Juçara. Irmã da Estrela... Adorei o jeitinho dela...!

Escrito por Fabrícia Martins às 12h00
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Sexta-feira , 20 de Novembro de 2009


Eternal...!

*Texto feito unicamente para Ana Paula Lins, minha querida amiga e parceira, que tem uma queda por Stephenie Meyer.

            
                  As luzes da manhã ainda não haviam aparecido, e meus olhos localizavam a intensidade branca da Lua, se extinguindo quase que completamente. Por todo esse tempo, fiquei sonhando com o dia em que olharia teus olhos e diria que você vai ficar a eternidade comigo. Mas, eu espero que entenda. Não posso, amada... Ah, minha doce e querida amada... Gostaria que entendesse que, mesmo te amando o máximo que posso, não posso ter você. Ah, minha doce, doce, doce amada... Como gostaria que você entendesse. Não posso te ter nunca. Nunca enquanto for "eu". Mas não se preocupe. As linhas róseas já aparecem no céu, e me fazem lembrar do teu rubor facial. Não se preocupe. Tu vais ser eterna, minha Bella... dentro de mim.

FabríciaMartins,
Crepúsculo pertence à Stephenie Meyer (Não que eu o queira...).

Escrito por Fabrícia Martins às 23h38
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Segunda-feira , 09 de Novembro de 2009


A garota

A mocinha tinha cheiro de boneca. Ou era daqueles batonzinhos que elas têm, que parecem um morango? Não lembro muito bem. Ela sentava num banco da praça que havia na cidade, e passava horas observando o sol, as árvores, as flores. eu a observava de longe, com meu grupo de amigos. Alguns tiravam "sarro" dela, falando que ela devia ser "mal-amada", mas eu não acreditava nisso.

Um dia, achei por bem me saparar deles e ir até ela. Meus amigos me zoaram, faziam piadas e me davam empurrõezinhos, insinuando coisas obscenas e impensáveis para mim. Aquele era o tipo de garota em quem eu nunca tocaria.

Quando me aproximei, ela me olhou e sorriu.

- Bom dia. - A moça me cumprimentou, e aquilo bastou para que eu me derretesse completamente. Era a voz mais doce que eu já havia escutado. O nome da dona era Michaella. Passamos a tarde inteira conversando. Ela era inteligente, engraçada, e falava sobre tudo. Todos os dias eu conversava com ela. Meus amigos me cobravam, me chamando de tudo. Mas eu não me importava mais. Eu era dela agora.

Depois de quase um mês - muitos shows perdidos, um melhoramento cultural e educacional, risadas e brincadeiras -, tomei coragem e perguntei:

- Afinal, porque todas as tardes você vem aqui e não faz nada além de observar?

- Ah. - Ela não pareceu surpresa, nem teve vergonha de responder. - É que eu tenho câncer. Deopis que eu descobri, comecei a olhar o mundo de um ângulo diferente. Aprendi a hora de voltar para casa apenas observando o sol. Ele é tão cheio de cores; tão magnífico...

Eu não consegui falar. Michaella observava tudo porque mais cedo ou mais tarde ela não poderia mais. A algum tempo, eu pensava em pedi-la em namoro, mas agora ela pensaria que era por pena. Eu não poderia!

Passamos mais duas semanas na mesma rotina, como se ela nunca tivesse me contado nada. Perguntei seu telefone, onde morava. A cada dia que se passava eu ficava mais ansioso para vê-la. Até que um dia ela não apareceu.

Fui até sua casa. Quem me atendeu foi uma mulher de meia-idade, e aprecia me conhecer.

- Você é o João? - Ela perguntou, assim que a indaguei sobre Michaella.

- Sim. - Respondi, mexendo em meus cabelos claros.

- Ela está hospitalizada. Queria ver você, mas eu não sabia onde encontrá-lo.

Nem perguntei desde quando. Peguei o endereço e corri até onde minha amada estava.

Quando me deixaram entrar na UTI, ela estava deitada, pálida e quase adormecida.

- Bom dia. - Ela falou, e eu notei como sentiria falta daquela voz. Conversamos um pouco e, vendo a dificuldade dela, ficamos em silêncio.

Eu me levantei, decidido, e olhei nos olhos dela.

- Michaella... - Senti meus olhos arderem, e lágrimas formarem-se. - Eu amo você.

Ela sorriu, me tocando no rosto. Fechou os olhos e suspirou, dizendo:

- Era tudo o que eu precisava ouvir, meu amor.

E então, ela se foi.

Eu ainda a amo. Ela me mudou completamente... E eu ainda a amo.

FabríciaMartins, 2009.

Escrito por Fabrícia Martins às 02h05
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Sábado , 28 de Fevereiro de 2009


A razão é uma ilusão

 

Meu joelho doia como nunca doera antes. Faltava apenas uma volta... apenas uma. Eu não poderia desistir. Corri o mais rápido que pude. Meu corpo me puxava para trás, enquanto meu espírito me levava para frente. A exaustão tomava conta do meu corpo, e eu já sentia tudo esfriar. O cansaço era indefinível, mas eu conseguia ver a linha de chegada. Estava em primeiro. "Vou ganhar! Só mais um pouco...!", eu pensava.

Foi quando uma dor lascinante percorreu minha perna direita. Senti algo quente cair do meu nariz quando bati o rosto no chão e rolei, sentindo que tudo estava extremamente barulhento e brilhoso. Levantei o rosto o máximo que pude. Se eu esticasse a mão, tocaria na linha de chegada. Eu ainda estava ganhando, mas meu corpo não me obedecia. Não consegui ao menos esticar o braço, o esforço foi tanto que minhas energias acabaram, e eu desliguei, como se tivessem apertado o interruptor.

Acordei horas depois. Minha perna pesava e por uns instantes eu via tudo branco. O quarto onde eu estava tinha cheiro de remédio e panos limpos. Forcei-me a sentar, mas não consegui impulsionar minha perna para levantar. Foi só nesse momento que senti a gravidade do meu problema. Minha perna estava presa por um pano a uma estrutura de ferro que não me deixava nem dobrar a perna nem abaixá-la. Havia pedaços de metal saindo do meu joelho e da minha canela. Era uma imagem grotesca, e eu sabia que nunca correria novamente com aquilo. Nunca mais.

Alguns meses depois, tiraram os furos de minha perna. Rompi os nervos do joelho, quebrei os ossos da perna... e do nariz também. Fiz milhares de cirurgias, fisioterapia, mas nunca me recuperei.

Muitas vezes, hoje, pergunto-me se eu não deveria ter desistido. Às vezes, as coisas simplesmente não são para acontecer. A dor era um aviso: pare!, mas eu não escutei. Minha vontade e orgulho foram grandes, não consegui parar de correr até não conseguir mais. Eu poderia ter parado, mas não parei. Eu poderia estar correndo -ainda-, mas não estou. Será que eu simplesmente poderia ter parado e dito "não consigo mais"? Ou eu me mataria por tê-lo feito? A razão é um dom que nós, humanos, não sabemos usar...

 

Fabrícia Martins.

Escrito por Fabrícia Martins às 20h10
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Saudade...

 

Quando a vi pela primeira vez, achei que estivesse tendo uma visão do paraíso. Ela era pequenina, com uma pele branca impecavelmente lisa. Os cabelos ruivos, curtos e cacheados cobriam um dos seus olhos, e sua cabeça era protegida por um chapéu grosso de pele - falsa, como descobri depois.

Seu nome era Palovla. Russa, tinha um filho pequeno. Dançava balé e era extremamente graciosa. Eu a protegia. Era um policial treinado, e ela estava na Alemanha; A guerra nunca cessava. Me apaixonei perdidamente. Ela tinha um coração puro, era delicada, inteligente...

Nunca cheguei a ficar com ela. Meu anjo foi embora num avião. O pequeno dela me deu um adeus, virando-se enquanto segurava a mão da mãe. Nunca mais a vi, mas creio que a lembrança daquele rosto vai ficar para sempre nos meus sonhos...

 

FabríciaMartins.

Escrito por Fabrícia Martins às 19h38
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