O Caminho Invisível


Quinta-feira , 08 de Janeiro de 2009


Preferências.

Eu estava entediada. Vestidos, blusas, calças, shorts! Inferno! Por que me obrigam a ficar dentro de lojas e escolher milhares de roupas que eu não vou comprar? Eu estava carregando sacolas e bolsas, enquanto sonhava internamente em escapulir da loja e entrar numa outra ao lado, que vendia quadrinhos. Olhei para a menina do meu lado. Loiríssima, salto 15, olhos azuis, 1.70 de altura.

- Karla, toma isso aqui. - Coloquei todas as bolsas e sacolas nos braços dela, e me virei.

- Ondje 'cê vai, Txica? - Ela arregalou os olhos por trás das lentes escuras.

- Vou... aqui ao lado, depois eu volto. - Ela ainda perguntou alguma coisa, mas eu não escutei. Por que é tão difícil ser diferente das minhas amigas? Diferente da Karla, eu não usava saltos ou roupas de marca. Minha camisa xadrez de mangas compridas já estava fubenta. Minha calça jeans já estava com um arranhão no joelho, e eu realmente não ligava de estar num shopping vestida daquele jeito. Meus allstars faziam um "toc, toc" vazio e sem vida no meio da multidão arrumada. Será que estavam me observando? Entrei pelas portas da loja, onde me sentia mais confortável. Parei na frente da minha coleção favorita, quando ouvi um romper mágico das portas silênciosas.

- Garota, vamos logo! Você precisa ver esses sapatos! - Era a Laila, outra que vivia comprando. Elas sabiam que eu era compulsiva por sapatos. Tinha mais sapatos que blusas. Mas isso era só um golpe pra me mostrar uma nova blusa que a Karla tinha comprado.

- Agora não, Lala. - Virei para os quadrinhos de novo.

- Agora sim, Fran! - Ela me agarrou pelo pulso e me carregou. Eu não pudia me recusar a ir com ela, havia concordado em aparecer no shopping. Ah, como elas eram muito mais divertidas sem todo aquele glamour ao redor!

Olhei minhas unhas enquanto elas experimentavam milhares de roupas. Eu não era feia, mas não era uma miss. Se eu quisesse, poderia. Mas, por que não?

Depois de intermináveis horas, elas decidiram ir embora, com 5 das trocentas roupas que experimentaram. E eu continuei sem saber o que fazer. Mas estava feliz. Eu sabia que todos os meus irmãos estariam em casa me esperando para jogar uma partida de poker e beber cerveja irlandesa. Abri um sorriso, girando o chaveiro feito de madeira das minhas mãos.

Eu pudia não ter aproveitado as horas no shopping, mas isso me fez pensar. O que será que eu faria se eu fosse elas?

Hmmm

Não.

Prefiro meu poker.

Escrito por Fabrícia Martins às 23h07
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Rakastaa <3

 

1.Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa:
amor ao próximo;
amor ao patrimônio artístico de sua terra.
2.Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoção extrema:
"Amor é um fogo que arde sem se ver" (Luís de Camões, Rimas, p. 135); "Vereis amor da pátria não movido / De prêmio vil, mas alto e quase eterno" (Id., Os Lusíadas, I, 10);
amor a uma causa.
3.Sentimento de afeto ditado por laços de família:
amor filial.
4.Sentimento terno ou ardente de uma pessoa por outra, e que engloba tb. atração física:
"Tenho frio e ardo em febre! / O amor me acalma e endouda, o amor me eleva e abate!" (Olavo Bilac, Poesias, p. 124);
estar louco de amor;
casamento de amor.
5.P. ext. Atração física e natural entre animais de sexos opostos:
Os pombos arrulhavam de amor.

Ah. Os olhos dele me olhavam como se eu estivesse sob uma luz diferente.  Minahs mãos tremiam, assim como meus joelhos. Meus olhos viravam-se para a minha melhor amiga, o tempo todo. Quianto mais vais demorar? Quanto mais vou conseguir aguentar os olhos dele? Olhos inquisitores, como se me perguntasse quem sou eu... Ou melhor: No que você se tornou? Você tem seios agora...! Há quanto tempo? 5 meses? Não... Cinco anos! Minhas mãos suavam. Um bilhete.

- Tô afim de tu. Sabia?

Minha amiga olhava por cima do meu ombro. Fez um pffs - ele era seu irmão - e disse: coloca um não, com dois olhinhos arregalados embaixo. Foi o que fiz. Não consegui respirar. Meu peito arfava de entusiasmo. Uma ligação. Três olhares de decepção. Meu, da minha amiga, e do meu amante. Eu ia embora.

Meses. Meses. Meses. Cada dia era uma tortura. Quando verei você? Quando? Quando poderei tocar seus lábios? Quando!? Quando poderei te abraçar, e dizer o quanto te amo...?! O quanto te amei por todos esses anos? Você me amou tanto quanto eu te amei? Me olhava tanto quanto eu te olhava? Eu esqueci de ti, por cinco anos. Você virou uma lembrança que me fazia feliz. Virou algo que eu nunca imaginaria chegar...! Saudades do tempo em que eu te paquerava! Saudades do tempo em que eu suspirava, e te via, com olhos embaçados e ainda mais verdes. Com meu corpo de criança, ainda... mesmo que mais que as outras. Não sabia o que era gostar de outrem. Mas, naquele dia. O bilhete. Os olhares. Não era platônico.

- Ah. Eu sempre gostei de você. - E eu sorri, com a confissão baixinha que você me dava. Então estávamos juntos. Finalmente. Oito. Oito meses. Longos oito meses de espera, de ânsia... E você era, finalmente, meu! Meu namorado! Como era ótimo dizer isso! Hoje, meus óculos não me deixam os olhos embaçados, mas a maior parte do verde se fora. Não sou mais criança, mas nem sou mulher ainda.

Eu não sabia como reagir. Seu mundo ruiu, e eu queria te carregar pro meu mundo inteiriço. Mas como? Abracei seu corpo como pude. Espero tê-lo feito feliz, assim como me faz.

Agora, olhando para minha letra redonda, vejo que minha vida com você nada mais fora que uma montanha russa. Subidas, e decidas, com uma super descida no final que nos amedronta, e quase nos faz cair. Mas o final gratificante por saber que sobrevivemos à todas subidas, descidas e loops dessa nossa montanha russa.

E que fique bem claro que eu só fechei os olhos nos loops.

Enfim.

Amo você, amado.

Desde sempre.

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Imagem: http://www.flickr.com/photos/fabiana_veloso/2760335303/

Escrito por Fabrícia Martins às 03h56
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