O Caminho Invisível


Sábado , 28 de Fevereiro de 2009


A razão é uma ilusão

 

Meu joelho doia como nunca doera antes. Faltava apenas uma volta... apenas uma. Eu não poderia desistir. Corri o mais rápido que pude. Meu corpo me puxava para trás, enquanto meu espírito me levava para frente. A exaustão tomava conta do meu corpo, e eu já sentia tudo esfriar. O cansaço era indefinível, mas eu conseguia ver a linha de chegada. Estava em primeiro. "Vou ganhar! Só mais um pouco...!", eu pensava.

Foi quando uma dor lascinante percorreu minha perna direita. Senti algo quente cair do meu nariz quando bati o rosto no chão e rolei, sentindo que tudo estava extremamente barulhento e brilhoso. Levantei o rosto o máximo que pude. Se eu esticasse a mão, tocaria na linha de chegada. Eu ainda estava ganhando, mas meu corpo não me obedecia. Não consegui ao menos esticar o braço, o esforço foi tanto que minhas energias acabaram, e eu desliguei, como se tivessem apertado o interruptor.

Acordei horas depois. Minha perna pesava e por uns instantes eu via tudo branco. O quarto onde eu estava tinha cheiro de remédio e panos limpos. Forcei-me a sentar, mas não consegui impulsionar minha perna para levantar. Foi só nesse momento que senti a gravidade do meu problema. Minha perna estava presa por um pano a uma estrutura de ferro que não me deixava nem dobrar a perna nem abaixá-la. Havia pedaços de metal saindo do meu joelho e da minha canela. Era uma imagem grotesca, e eu sabia que nunca correria novamente com aquilo. Nunca mais.

Alguns meses depois, tiraram os furos de minha perna. Rompi os nervos do joelho, quebrei os ossos da perna... e do nariz também. Fiz milhares de cirurgias, fisioterapia, mas nunca me recuperei.

Muitas vezes, hoje, pergunto-me se eu não deveria ter desistido. Às vezes, as coisas simplesmente não são para acontecer. A dor era um aviso: pare!, mas eu não escutei. Minha vontade e orgulho foram grandes, não consegui parar de correr até não conseguir mais. Eu poderia ter parado, mas não parei. Eu poderia estar correndo -ainda-, mas não estou. Será que eu simplesmente poderia ter parado e dito "não consigo mais"? Ou eu me mataria por tê-lo feito? A razão é um dom que nós, humanos, não sabemos usar...

 

Fabrícia Martins.

Escrito por Fabrícia Martins às 20h10
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Saudade...

 

Quando a vi pela primeira vez, achei que estivesse tendo uma visão do paraíso. Ela era pequenina, com uma pele branca impecavelmente lisa. Os cabelos ruivos, curtos e cacheados cobriam um dos seus olhos, e sua cabeça era protegida por um chapéu grosso de pele - falsa, como descobri depois.

Seu nome era Palovla. Russa, tinha um filho pequeno. Dançava balé e era extremamente graciosa. Eu a protegia. Era um policial treinado, e ela estava na Alemanha; A guerra nunca cessava. Me apaixonei perdidamente. Ela tinha um coração puro, era delicada, inteligente...

Nunca cheguei a ficar com ela. Meu anjo foi embora num avião. O pequeno dela me deu um adeus, virando-se enquanto segurava a mão da mãe. Nunca mais a vi, mas creio que a lembrança daquele rosto vai ficar para sempre nos meus sonhos...

 

FabríciaMartins.

Escrito por Fabrícia Martins às 19h38
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