O Caminho Invisível


Sexta-feira , 19 de Novembro de 2010


O Prisioneiro

 

O céu não tinha lua, mas a quantidade de estrelas era tão intensa que tudo estava claro. Eu observava o céu do meu cubículo, contando as estrelas que podia por entre as grades. Minha vida estava ficando tediosa. Cansei de conversar com ratos e baratas, tentar puxar um papo com o guarda.

É inútil. Todos me veem com maus olhos.

Mordi os lábios, olhando o teto úmido de pedra lisa. Eu não estava com sono. Peguei o giz que guardava perto da cama e comecei a desenhar na parede da cela. estava relativamente escuro e eu não conseguia ver nada com detalhes, mas aquilo me deixava ocupado.

Os traços saiam fluídos e limpos. Eu tinha talento. Mas de quê adiantava? Um dia de domingo eu vi um homem prestes a violentar uma criança. O matei. E agora estou aqui, por 15 longos anos, por ter salvado dezenas de vítimas.

 

Fabrícia Martins.

Escrito por Fabrícia Martins às 03h18
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Chuva de Abril

 

A chuva batia forte em meus olhos enquanto eu corria, carregando meu longo vestido branco. Como uma tragédia dessas poderia ter ocorrido justo hoje? Justo no nosso dia?

Meus olhos já estavam cansados de chorar quando abri abruptamente as portas da grande catedral. Os vitrais pareciam obscuros diante de todo aquele temporal, mas não tão obscuros quanto meu coração. Parei, olhando a grande imagem de Jesus sofrendo na cruz e gritei, desesperada.

Estava tudo arrumado e bonito para nosso casamento. As flores ainda estavam lá, murchando, assim como eu. O altar nunca me pareceu tão assustador, e eu nunca tive tanto ódeio de uma imagem: aquela imagem de gesso que sofria assim como eu sofri, quando, na porta da Igreja, vi o homem da minha vida cair no tapete vermelho sem me ter ao seu lado. Olhei a imagem de jesus naquela hora, e notei que aquela imagem de nada valia para mudar o destino. Aquela imagem não era nada.

Não tive coragem de tirar meu vestido. No hospital, disseram que ele havia tido morte cerebral - nada que fizessem poderia salvá-lo. O meu coração havia sido queimado com meu amante naquela mesma noite.

Senti alguém tocando meu ombro. Virei-me para ver quem era, e vi um rosto calmo e novo. Era um jovem padre que escutara meu grito.

- Não se desespere, Cassandra. - Ele me falou, ajoelhando-se à minha frente. - Deus não irá te desamparar.

- Ele já o fez. - Fui ríspida, mas ele apenas me fitou com seus olhos puros e gentis.

- Vê essa chuva toda? - O jovem padre falou, apontando para a porta. - Vá para ela. É o seu amado tentando tocar você.

Fabrícia Martins.

N/A.: A frase do padre sobre a chuva é referência a uma de minhas fics de Harry Potter favoridas, a "O dia que nunca chove", da Lain Lang.

Escrito por Fabrícia Martins às 02h46
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