O Caminho Invisível


Sexta-feira , 29 de Abril de 2011


Náttùra

Eu sentia os seres vivos andando sob meus pés. A areia gélida penetrando por entre meus dedos, e o cheiro de lama recém-lavada subindo pelas minhas narinas. Olhei ao redor. Meus olhos se fecharam um pouco por conta da branca luminosidade que caia do céu, atravessando furiosamente minhas retinas e me deixando cega para o resto do mundo. Apesar de pouca, quase escassa, foi o suficiente para me machucar. A floresta é calma e repressiva. As árvores ao redor esmagam minha liberdade, mas eu me sinto tranquila.

A cabana à minha frente servia como um abrigo dessa luz, então entrei, ficando novamente em calmaria. Os sons ao meu redor se mesclavam com a minha alma, e meus cabelos compridos, imensamente ruivos, limpam o chão enquanto me sento, ainda pensando comigo mesma.

A vida estava em todo lugar, e eu ali, Morte de cabelos vermelhos.

As paredes mofadas acumulavam umidade, sendo um antro de vida. Eu via bichinhos subindo por elas, vivendo suas simples vidinhas. Não havia móveis, apenas uma mesa e uma cama velha. Os pássaros cantavam, e eu ali, respirando vida. Eu, a Morte.

A Terra era um bom lugar para se viver, pensava eu, então por que existia paraíso de aquilo era suficiente?

Ah, é.

Os humanos destruiram tudo.

Olhei para o corpo ao meu lado. Uma criança de mais ou menos sete anos. Abusada e morta. Toquei em seus cachinhos, acarinhando aquele pequeno ser. Quando a puxei de seu corpo, ela me encarou com seus olhinhos verdes esbugalhados.

- Olá, Aeridna. - Ela me abraçou, amedrontada.

- Po quê? - Ela me perguntou. - Po que ele me machucou?

- Ele não sabe o que faz. - Falei, abraçando aquele anjinho. - Agora vamos para casa?

Aeridna sorriu, já animada.

- Vamos plo céu? - Ela riu. - Foi po isso que papai do céu me mandou um anjo?

Sorri. Eu sempre me animo, e agradeço a Deus. Momentos assim fazem meu trabalho maravilhoso.

 

"Contos de Morte", MARTINS, fabrícia.

Escrito por Fabrícia Martins às 23h13
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