O Caminho Invisível


Segunda-feira , 02 de Maio de 2011


Συνάντηση

 

Eu andava por entre as ruínas, calma. Havia uma alma me esperando entre as pilastras destruídas, e eu não conseguia encontrá-la. Por quê? Eu nunca errava um local...! Nunca! Então porque não conseguia encontrar?

Aquela havia sido uma das mortes que eu menos gostava: assassinato. E o pior: era daqueles que realmente tinha um motivo.

Seu nome era Athena Cleo. Era mulher, cerca de 45 anos. Rica, vida social cheia, festas em todos os lugares, casa bonita... O problema é que ela havia conseguido todas essas riquezas com o tráfeco humano...!

Sim... Ela sequestrava criancinhas e adolescentes para vendê-los para gigolôs e faturar... Como é que dizem? Ah... Uma grana preta com isso.

Olhand ao redor, acabei encontrando o motivo pelo qual não a achava. Primeiro vi sua gadanha, gigante, completamente suja de sangue. Depois vi seu capuz, negro, oscilando no vento grego, deixando de fora apenas a pontinha de seu nariz. Depois vi Athena, segura por um dos braços, implorando por piedade.

- Não sabia que você capturava meus mortos, também. - Falei ao me aproximar dela. Ela virou para mim, indiferente.

- Então é... Você? - A voz dela era profunda, negra. Calafrios percorriam meu corpo, arrepiando meus pelos enquanto ela falava. - O anjo que ceifa vidas?

- Não tenho uma gadanha, como pode ver. - Mostrei minhas mãos vazias. - Apenas retiro a alma que foi posta no corpo mortal, da mesma forma que Deus a colocou ai dentro.

- Ah. - Ela deixou a boca aberta por uns dois segundos, levantou sua gadanha, e do corpo que ali estava, só restou a alma, assustada e tremeluzindo. - Humanos são sempre tão... Iguais.

Fiquei calada. Aquela alma olhou para mim, com lágrimas invisíveis nos olhos, um terror profundo na alma, e um pedido: "me leve".

- Humanos são como crianças. Precisam crescer e aprender... É difícil para eles, sendo uma raça tão nova. - Falei, finalmente, enquanto ela limpava sua arma. - Humanos precisam de carinho e cuidado, para que possam evoluir.

Toquei o rosto da mulher ajoelhada aos meus pés, que imediatamente fechou os olhos.

- Não me sinto satisfeita com o que faço, mas sou a única capaz de fazê-lo. - A mulher pareceu relaxar ao meu toque. O que fiz foi apenas prender uma linha ao redor do pulso dela. - Mas já que ela é sua, leve-a. Essa linha a marca como sua propriedade.

Ela me olhou, como se tivesse me visto pela primeira vez. Tirou o seu capuz, e eu pude ver sua pele extremamente cinza, seus cabelos negros em desalinho, e os olhos da mais pura cor de escuridão.

- Espero vê-la novamente, Shalem. - E então ela sumiu, como se nunca estivera lá.

_x_

 

Texto que escrevi em resposta ao texto de um outro escritor, Dija Darkdija, do blog A Arte da Viajosidade, que fez um encontro com nossas Mortes.

O texto dele é ótimo, e espero que o meu também não seja ruim.

Até o/

Escrito por Fabrícia Martins às 00h56
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